quarta-feira, abril 29, 2009

Canção do Sul

A um passo do abismo, eu sinto
Sonhos e desejos,
O gosto de todos os medos
Indo embora sem se despedir...

Minha liberdade chora
Sabendo que retornar para o peito
Guiada por olhos que sabem onde querem ficar
É tudo o que um dia poderíamos esperar...

Algo tão raro... algo tão raro...
Perfeito por saber que chegou o momento de sorrir...
Perdido em mim, em retratos e decepções,
Um sonho onde pude te encontrar
E te ouvir dizer... amparada pelo mesmo momento
As mais belas palavras, unidas pelo mais nobre sentimento

Todo um mundo se abre... uma nova vida desperta em mim.
Desfeito no ar mentiras e desilusões,
O tempo discorre sobre um fio de prata e se estende
Pelo toque inefável de duas almas
Corrompidas pelo mesmo sabor, porém
Abençoadas pelo mesmo Senhor

Diga adeus aos segredos mais sombrios
Guardados por incontáveis vidas e relembradas
tendo as paredes de um quarto como confidente
Hoje sabemos nosso lugar
Hoje conhecemos nosso novo lar...

Venha... vamos finalmente saber qual a sensação de voar
Sem se importar com tolices ou com frases já feitas
Sobre o que é real.
É tempo de saber qual o gosto de uma bela canção.
É tempo de viver o máximo do amor
Que pode vir de um coração...

terça-feira, abril 21, 2009

diversos

a vida é isso ai meu caro. política pra tudo quanto é lado, e se puder encontrar um pouco de poesia no meio dessa merda toda sinta-se agraciado.
sim sim, eu sei que o discurso é clichê, mas sempre vale a pena. todo mundo repete beatles até hoje dizendo que só precisamos de amor.
enfim... feriado em casa, depois de mais um fim de semana pra lá de marginal.
por enquanto tudo igual, mas com um pouco mais de cor.
algumas cores inclusive eu não tinha aprendido a enxergar.
mas pra não deixar ninguém que busca rabugice aqui na mão, sim.
eu estou tremendo só de pensar nos presidenciáveis de 2010...

quarta-feira, abril 15, 2009

óbvio.

segunda feira. o meu gerente reúne a equipe e fala sobre metas. todo gerente fala.
temos de fazer isso e aquilo para a empresa crescer, ele diz. toda empresa tem que crescer. temos de ter ambição, ele continua. fala mais sobre ele ter metas maiores que as da empresa. ele sim é um cidadão respeitável. tem plano de saúde, casa, carro, faz viagens e deve ter os armários da cozinha esbarrufados de comida. e quando ele se enjoar disso, ele comprará outra casa, outro carro, viajará para outros lugares e colocará mais comida em sua nova casa.
a reunião termina e eu vou para o bar. três e meia da tarde. bebo cinco doses de conhaque, três doses de pinga pura e cinco cervejas. sozinho. quer dizer, eu bebo lendo bukowski. e ouvindo matanza e motörhead. bebo e bebo e bebo. saio sem pagar e nem me dou conta. depois eu acerto com o jé. ou não.
no caminho para casa eu tenho que forçar o vômito. enfio a mão na goela e quando o vômito vem, não tenho reflexos para tirar a mão de lá. acabo vomitando na própria mão. para me limpar, eu me jogo no chão, e esfrego a mão na grama. uns moleques passam na rua e ficam rindo de mim. da minha falta de dignidade. se eu estivesse sóbrio mostraria a eles.
no dia seguinte eu falto no trabalho. ressaca. das bravas. com tremedeira e tudo o mais. quarta feira minha supervisora pede desculpas mas diz que ou eu bato a porra da meta ou eu tô fora. diz que eu tenho que lutar até o fim pelo meu emprego. deus, só de pensar em lutar eu já me canso. lutar até o fim então... aff!
melhor começar a espalhar meus currículos por ai...

terça-feira, abril 07, 2009

política é como foder cú de gato II

"porque você nunca mais escreveu sobre política no seu blog raffa?" - henrique.
"tuda anda na mesma sempre cara. não dá" - raffa.

barack obama ganhou as eleições. lula banca o dissimulado. pib cai. pib cresce. dólar tem queda. crise imobiliária. volks demite. avon contrata. chrysler fecha as portas. são paulo joga quarta feira. palocci tenta retorno a política. água viva descobre como viver para sempre. cotas para negros provoca discussão em universidade pública. pib sobe. bolsa família é chamado de esmola pela oposição. pmdb tem fome de poder. sarney é um safado. pt pensa em 2010. psdb tem disputa interna. serra não se da bem com aécio que não se da bem com alckmin que não se da bem com serra. fhc critica gestão lula. deputados ganham aumento de salário. salário minimo sofre reajuste medíocre. inflação dispara. inflação recua. medo da deflação. dólar sobre. presidente francês visita o brasil. bato uma punheta para sua mulher. guerra no iraque. guantánamo já era. soldados morrem. crianças pedem esmola em faróis. ongs tentam mudar o cenário do país. seca no nordeste. tempestade no sul. poluição em são paulo. tiroteio em favela do rio. desmatamento ameaça amazônia. crise global. g20 se reúne para tentar solução. falham. tirano da coréia manda foguete no rabo do mundo. venezuela escarra na cara da liberdade. bolívia caga na boca do brasil. argentina toma sacolada. pelé fala merda. maradona responde. lula critica ronaldo. seleção decepciona. final do paulistão. barrichello se dá bem. massa se fode. fulano beija cicrano na novela. fidel a beira da morte. obama elogia lula. bush pai elogia collor. oriente médio em guerra. atentado terrorista em algum país impronunciável. fome. miséria. desespero. o fim do mundo. e longe de tudo isso, uma mulher goza pela primeira vez enquanto trepa com seu cachorro, um estudante do interior experimenta maconha e adora, um gênio da poesia toma uma chupada no banheiro e uma garota cai de porre calçada.
e sim, isso foi um plágio de um conto do bukowski. um plágio descarado, mas é também uma resposta ao meu caro henrique.
dorme com essa.

sábado, abril 04, 2009

Há quinze anos atrás...

Dia cinco de Abril de 1994 Kurt Cobain enfiou um balaço na cabeça e acabou uma era.
Camisões xadrez, calças rasgadas, All Star sujos, cabelos desgrenhados. Tudo acabado...
Hoje somente eu e mais uma meia dúzia de gente ainda curte esse som.
Territorial Pissing, Alive, Blak Hole Sun... músicas que ninguém mais curte...
Agora estou aqui, nostalgico por uma época que eu não vivi. Saudades de uma vida que eu não consumi.
Dessa safra toda somente o Pearl Jam continua na ativa, e seu último album, o abacatão é um trem direto para Seattle, 1991. Uma entrada de cortesia para o Off Ramp.
Nunca mais viveremos nada parecido.
Raiva, ódio, tristeza... mas alegrias e sabores regados com sangue e suor.
E num futuro próximo estarei eu e mais um punhado de gente berrando de novo. Caindo pra cima da galera. Mostrando com algo próximo de música que o mundo não é essa merda toda que a gurizada assiste na Malhação.
Enquanto isso vamos tocando o barco.

terça-feira, março 24, 2009

O que o escravo fez pouco antes de ser alforriado

Sábado.
As coisas já estavam certas. O futuro já estava decretado. Então decidi beber um pouco.
Começamos por volta das quatro. Um pouco de cerveja, conhaque, e uísque. Algumas mulheres começam a falar sobre transar com mais de uma pessoa por vez. Me excito. Contino bebendo, e falando sobre um filme, "O cheiro do Ralo".
Meus amigos, gritam um pouco, o dono do bar aparece e nos manda calar. Ok. Normal.
Como era de se esperar, o bar fecha, mas ainda queremos beber. Vamos para outro.
Mais do mesmo.
- Vamos ali - eu digo para uma das garotas e aponto a rua - Eu quero te mostrar uma coisa.
- O que? - ela responde.
- Vamos que eu te mostro. Você vai gostar.
Ela vai contrariada. O alcool me ajuda a convencê-la. Na calçada eu começo a beijá-la e a me esfregar nela. A coisa esquenta. Não tenho dinheiro para um motel. E ela não vai dar na rua. Foda.
Ela entra de volta para o bar dizendo que eu sou o capeta. Ganhei a noite.
O outro bar fecha. Nos separamos.
Eu e um camarada vamos para outro bar. A minha noite ainda não terminou. Esse camarada do interior não pode vir pra cá sem experimentar um coma alcoolico.
Paramos em um bar perto da minha casa, e começamos a conversar com algumas mulheres que nunca vi na vida. De repente eu estou passando a mão na buceta de uma delas. Uma que usava saia. Vi que ela ficou molhada. Tento convence-la a dar pra mim, mas essa ainda precisava de mais álcool. E minha grana tinha acabado...
No fim da noite, o dia chega, como sempre. Meu amigo recebe sua merecida dose de glicose na veia. E vem a tão sonhada carta de alforria...

domingo, março 22, 2009

Alforria

Os ingleses podem tirar nossas vidas, mas nunca nossa liberdade!!! - William Wallace.
Pois bem. Por um tempo corri, por outro perdi.
Então o tempo passou e agora estou livre novamente.
Livre para ser, fazer, e experimentar cada canto imundo dessa vida sacana.
Esse domingo recebi a carta de alforria, e me sinto como o cachorro preso, que sai de casa e se depara com milhares de cadelas no cio.
Ah... a vida promete ser boa!

quarta-feira, março 18, 2009

Um detalhe

Todos já nos sentimos assim.
O ar falta. Respirar é difícil. A sensação é de que o mundo deixou de rodar para apenas pular de lá para cá, sem se preocupar com quem irá cair no processo.
E foda-se eu.
Um dia talvez a gasolina no tanque do meu carro valha mais do que a paisagem a minha volta. Quem sabe um dia, todas as manhãs nasçam indispostas.
Eu quero continuar... eu quero prosseguir. Quero mais que um verbo. Quer o ato.
Suor, sangue, e uma dose de prozac.
Uma questão para ser formulada, traz consigo uma resposta que se perde sem ao menos nascer.
Eu serei aquilo que posso ser.
No meio de políticagem, interesses, desvarios, injustiça... pedidos que somente se vão, e momentos onde tudo se torna negação...
Sou um detalhe escondido no canto. Dormindo sem sono...
Minha cidade tem luzes que desaprenderam a brilhar, mas eu continuo aqui.
E o vento só me abraça quando estou correndo.
Estou aqui, enfrentando com essa cara que Deus me deu todo o peso que a vida traz.
Um governo corrupto, transporte desumano,
sub-emprego, desespero e frustração
sentimentos bordados em pano
alegrias ou mentiras vividas com paixão...

Sou um detalhe. Somente um detalhe...
Aquilo que eu posso ser.

sábado, fevereiro 21, 2009

19/02/2005

Eu estava deitado no sofá, assistindo televisão. Não me lembro o que. Não era importante. Por volta das dez e meia eu ouço barulho no portão. Minha prima entra gritando porta adentro. Minha mãe desce as escadas, já chorando. Eu fiquei sem saber como reagir.
- A tia morreu... - diz minha prima - A tia morreu.
Deus... e agora...?
Sem ter mais o que fazer, chorei.
Nada parecia ser real. Eu me sentia como éter de um sonho macabro. Mas era verdade. Uma das pessoas que mais amei nesse mundo, que mais me quis bem, tinha ido.
A pessoa mais doce, mais fabulosa que eu já tinha conhecido até então. Um exemplo de bondade, de amor.
Eu aprendi a mentir com metáforas. Descobri o segredo das palavras e o que está por trás delas. Vivi sentimentos e sensações... Mas não consigo até hoje entender porque ela não está aqui.
Eu era pedra, e a luz dela me fez estrela.
A respiração que não vinha, páginas de um passado amassado, de dias que eu queria ter passado sendo mimado em seus braços. E todo carinho transformado em mais que distância... Não parece justo...
E sempre que paro e penso, e sinto e repenso eu vejo... ela parece estar aqui. Cuidando de mim dentro de seu abraço. Vivendo outra vida através de meus passos.
Nessa semana eu passei lá uma vez mais, como faço todos os anos, e conversei com ela. Por fim deixei um retrato meu mostrando o quanto eu mudei.
Fui embora, e ela continuou dormindo mais próxima de Deus...
Obrigado Dona Maria Antônia de Lima..

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Wittgenstein e a Novela - part II

E onde eu quero chegar?
Bom a linguagem não consegue alcançar nada de absoluto. Beleza.
O que seria bom absoluto não pode ser pensado. Só o bom relativo. Relativo a quem avalia. Isso justifica pensar que um tenista pode jogar péssimamente para seu padrão e muito bem para seu próprio padrão. Nada de anormal.
Temos um ato e dois julgamentos sobre o mesmo ato, e se ambos tem valores diferentes é sinal que o objeto em si, não possui valor algum, é antes disso o ser que o valoriza, e isso podemos pensar. Pensar assim, é o que Wittgenstein diz que é o ato de pensar.
Pois bem... diga agora, o que é melhor - ou o que seria "mais bom" -

Sonho de Uma Noite de Verão - William Shakespeare
Irmãos Karamázov - Fiódor Dostoiévisky
Guerra e Paz - Leon Tolstói
Lost - Seriado Cult
Big Brother Brasil 9 - Reality Show apelativo
Novela das Oito - Programa da TV Globo

[tempo para pensar...]
Sim... são todos iguais. Todos valem a mesma coisa. E fim de papo.

sábado, janeiro 24, 2009

Wittgenstein e a novela - part I

Esse post vai ser grande. Quem não curte pode parar por aqui.

Pois bem. Wittgenstein em sua obra Tractatus Lógico Philosophico, nos diz algumas coisas sobre o pensamento. Uma delas é afirmar que o pensamento pensa algo. Não somente isso, mas quando dizemos que pensamos algo, é necessário dizer como se pensa esse algo. Wittgenstein então da um outro passo e nos mostra que o que regula o pensamento é a lógica.
Não podemos pensar ilogicamente, assim como não podemos dar coordenadas de locais que não existam. Ao dizer isso, Wittgenstein traça supostamente o limite do pensamento, daquilo que pode ser pensado. Qual limite? A própria lógica. Não podemos pensar nada que não seja lógico. Um contra senso tem lógica. O ilógico de fato, não pode ser pensado.
Quanto as leis da lógica que regulam nosso pensamento, cabe dizer que essas são as leis formalizadas por Aristóteles, que já aparecem em diálogos platonicos como Teeteto ou Górgias. Até mesmo Hípias Menor talvez. Falo do silogismo.
É o silogismo que regula o pensamento. A realidade é pensada de forma que seja possível compreender. O que torna a realidade possível de ser compreendida é a lógica.
Entretanto como já foi dito, pensamos algo. Esse algo, de acordo com Wittgenstein, mantém relação com outro algo. Não podemos pensar um objeto isolado no mundo. Sempre o pensamos dentro de um campo espacial, e dentro de coordenadas que o tempo nos oferece, para ficar em relações mais simples.
Pensamos algo que esteje dentro do tempo e do espaço. Que mantenha relações com o tempo e com o espaço. Faça um teste e tente pensar algo fora destes campos. Não dá. Portanto o pensamento pensa coisas que se relacionam com outras. Objetos absolutos que não precisem de relações são impossíveis de serem pensados.
Uma das coisas que sofrem com esse conceito, é o conceito de "Bom", "Mal", "Bem", "Mau". Se essas coisas são relativas, forma-se um problema, afinal como se pode condenar uma ação se a pessoa que a cometeu a considera algo bom?
Se esses conceitos são relativos, matar ou roubar são ações que não podem ser repreendidas, afinal quem determina o que seria repreensível ou não seria um ideal a ser alcançado. Se o ideal não é, a pessoa que não o fez é condenada com sansões físicas ou psicológicas.
Do outro lado, se esses conceitos são absolutos, não precisam de um referencial. Sendo assim não podem ser pensados.
E ai fode.
No próximo post eu mostro onde quero chegar...

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Shakespeare para gurizada!

Nasce o filho de um rei sábio e amado. Seu filho, uma imatura e irresponsável.
O irmão do rei é então corroído pelo ciúme e pela inveja. O reino agora, pertencerá ao pirralho. Ainda enciumado, o tio do futuro rei planeja o assassínio de seu irmão e de seu sobrinho, juntamente com seus três comparsas.
Durante a execução do plano, o rei perece, e graças a misteriosa força do destino o principe escapa de seu destino e foge, acreditando que a consequência de seus atos culminaram na morte de seu pai. O traídor atinge seu intento, e transforma o reino em ruínas.
No exílio o garoto faz novas amizades, e cresce um jovem em débito com o passado. Então, uma antiga paixão sua aparece e o faz relembrar de suas responsabilidades. Corroborando com a jovem, o antigo conselheiro do rei falecido aparece para lhe dizer que os ensinamentos de um rei ainda vive dentro do príncipe. O espírito de seu pai aparece nos céus e lhe encoraja.
O príncipe retorna, juntamente com seus novos amigos e sua antiga paixão para seu reíno destruído, enfrenta seu tio traidor, descobre a verdade sobre a morte de seu pai e se sagra rei por fim.
Resumo de uma tragi-comédia shakespereana? Não.
Isto é Rei Leão, ou Shakespeare para a garotada.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

O homem e a bota.

Junto com o ano que se inicia aqui no Brasil, vem o verão. Junto com o verão, vem a programação de verão na televisão. Seriados, programas especiais, filmes... a coisa toda. E há anos, tenho mais um motivo para resmungar sozinho quando chega Janeiro. Sim, não é surpresa para ninguém, outro Big Brother se inicia. Outra leva de porcos no cio foi reunida de livre e espôntanea vontade para ser humilhada e ridicularizada.
Que George Orwell está comendo as próprias tripas, eu já disse ano passado ou retrasado. Mas não tenho como não escrever sobre isso. O assunto nunca se esgota na minha mente. Fica girando e gritando. Amarga a garganta como um vômito que para ali. E quando eu me lembro que não tenho possibilidade de explodir aquela maldita casa com cinco quilos de pura dinamite, fico triste. Quando eu me lembro que explodir aquela maldita casa não via diminuir a desgraça diária que consome o mundo a tristeza vira melancolia. Eu simplesmente não tenho saco para eliminar tudo que é podre no reino da Dinamarca. Hoje em dia, desde sempre, "o próprio sonho não passa de uma sobra", como diria o princípe do mesmo reino.
Quanto ao que virá, "se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre." (George Orwell).

sábado, janeiro 10, 2009

Meu candidato fora de temporada!

Não sou de fazer apologia a ninguém. Na verdade me saio melhor atacando sem o menor escúpulos a tudo e a todos. Geralmente o lado que eu demonstro apoio é o derrotado por razões óbvias.
Mas mesmo nesse cenário vagabundo e mequetrefe que é a política brasileira, destaco um fulano que merece meu voto.
O cara é conhecido por sua atuação no Partido Verde (do qual é membro-fundador). Defende a profissionalização da prostiução e a descriminalização da maconha.
Como esquerdista histórico, já mandou tanto o PT quanto o PVas favas. Não tem receio de abandonar suas diretrizes políticas. E como se não bastasse participou não só da luta armada contra o Regime Militar, como juntamente com o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), foi um dos sequestradores do embaixador norte-americano Charles Elbrick às vésperas do 7 de setembro de 1969. A idéia do sequestro era pedir a liberdade de alguns presos políticos, o que deu resultados. A única mancha que consto em seu currículo foi ele não ter metido um balaço na testa do tal do Charles. Ninguém é perfeito...
O cara é Fernando Gabeira. E se esse país soubesse o que é bom, o colocaria no lugar do nove dedos.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Porque eu acredito na educação deste país.

Tenho uma cachorra, a Grampola. Mestiça pastor alemão com dalmata. Ela é toda preta com uma mancha branca no peito. É uma fanfarrona. E faz muita bagunça. Muita mesmo. Por isso tenho de lavar o quintal todos os dias, caso contrário o ar fica intragável.
Então eu lavo o quintal. Todo ele. A Grampola pulando em mim com as patas molhadas e nós dois ficamos cheirando a cachorro molhado.
Ao fim da limpeza do quintal, abro a caixa de correspondência. É um costume meu. Uma carta endereçada a mim da editora Saraiva. "Ilmo Professor Rafael". Começou mal... não sou professor faz tempo. Abro a carta. É a propaganda de um livro escrito para os estudantes do ensino médio sobre filosofia. Legal. Filosofia para o ensino médio é sempre uma questão interessante.
O livro fala dos "grandes temas da filosofia (ciência, moral, politica e estética)" e "uma reflexão sobre as principais contribuições dos grandes filósofos". Conta ainda com um manual para o professor com respostas as atividades propostas e sugestões para avaliações, uma vez que um professor jamais teria capacidade para responder estas questões ou bolar uma avaliação interessante.
O livro foi desenvolvido especialmente para a rede pública e foi escrito por Gilberto Cotrim que "é, como PROFESSOR DE HISTÓRIA, um filósofo das questões educacionais".
Tem como não ser rabugento?

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Porque eu to cagando e andando para Santa Catarina

Acabou mais um ano. Estamos todos mais velhos, mais próximos de morrer, mais distantes do nascimento.
Passou as festas de Natal e ano novo, como muitos fogos de artifício, peru e tudo aquilo que já conhecemos bem. Agora é hora de outra festa.
Aliás o Brasil é um país em festa contínua. Marcamos a vida por festas. Vivemos nos intervalos.
Primeiro o carnaval, que aliás já é manchete em alguns sites e jornais. Logo após a Páscoa, que também virou um carnaval. Nesse meio tempo, se inicia os torneios de futebol regionais. Creio que trinta, quarenta mil pessoas pulando, gritando e sorrindo é festa demais pro meu rabo.
Após a Páscoa, vem as férias de meio de ano, que nos preparam para encarar mais um Natal e ano novo. Parece pouco porque na verdade é. Para sanar isso, temos centenas de micaretas fazendo carnaval fora de época espalhados pelo país.
Ai o mesmo filho da puta que torra milhões organizando o carnaval e a virada de ano na Paulista, vem me pedir dinheiro para ajudar os desabrigados do Rio Grande do Sul e as crianças do Criança Esperança, e eu tenho que ficar quieto. O mesmo bastardo que torra mais outros milhões com um estádio ou pagando salários exorbitantes para que homens se comportem como animais dentro de um campo de futebol faz o mesmo.
Por isso digo e repito: não ajudo. Não ajudo ninguém que eu não conheça, que eu ao menos não conheça a cor dos olhos. Pelo menos não banco o hipócrita que diz a Deus e ao mundo que ama e acolhe a tudo e a todos e torra dinheiro com supérfluo.
Mas ai o brasileiro esquece e ri. Típico...

sábado, janeiro 03, 2009

Dom Casmurro é o caralho. Meu nome é Andolini porra!

Eu vou na contramão. Sempre. Se não fosse assim, não seria assim.
Assisti um ou dois capítulos de Capitu, que passou na Globo. [sim, eu assisto a Globo]
Tudo muito moderno, tudo muito bonito. Uma bela estética. A única coisa que não me sai da cabeça... porque tanta piração pela garota.
Coisa de corno saca? "Oh Capitu... você me traiu? Oh... não sei, não sei..."
Como se o mundo se resumisse a isso. Como se fosse fundamental de fato.
Sei lá. É um bom livro sobre merda alguma.
Proponho a queima de Dom Casmurro. Queima geral. Tudo pro saco.
Vamos todos ler Misto Quente. Vamos ler algo que fede e peida.
Algo real como um bom soco no baço.
Ao invés de um soneto que não sai, ficamos com um escritor que somente briga e bebe.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Recapitulando [sim, mais uma vez]

Entre erros e acertos, vitórias e fracassos, terminei o ano. Estou vivo.
O ano foi tenso para mim, e para o mundo também. A pior crise que o mundo já viu. Sim, pior que a de 29.
Me senti muitas vezes o próprio Buk, vagando horas e horas pelas ruas com um saco de pão se seco na mochila, sem grana para o ônibus. E nada de trampo. Quem em sã consciência contrataria um filósofo?
Era eu, a rua, o sol na moringa e minha cabeça voltada para poemas e letras, e teorias.
Escolhi meu caminho. Escolhi qual rumo seguir. Não sabia que seria tão ruim assim, como está sendo, mas estou me preparando. Cada dia de cada vez. [sim, um clichê.]
Parafraseando Fante, 2008 foi um ano ruim.
Mas esse ano foi um ano de mudanças... Gabeira perdeu no Rio, o que foi uma bosta, mas o Obama botou pra fuder nos EUA. Passei a confiar mais no meu país [Deus... eu disse isso?], e perdi um pouco da confiança que tenho em mim. Preciso estudar ainda mais, para recuperá-la.
Apanhar do PT me abriu os olhos para algumas coisas, assim como não lecionar. E participar do esquema eleitoral do C.A na faculdade foi algo bom.
Só quero que não se esqueçam de tudo o que foi feito durante esse ano. Das promessas vazias do presidente [a crise não nos afetará], das promessas cafajestes dos prefeitos, e essas carambolas todas.
Um bom fim de ano e um bom natal.
Até um outro dia.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Quando a imagem no espelho acaba de mudar

É complicado. Criamos uma imagem de nós mesmos. Quando nos olhamos no espelho precisamos de alguma imagem que remeta ao reflexo que ele mostra. Esta imagem se revela com os nomes que damos a nós mesmos. Fulano é engenheiro, Cicrano é advogado, Beltrano é médico. E por ai vai.
Eu não fujo a regra que eu mesmo inventei. Eu me olho no espelho e vejo um filósofo. Via um bom filósofo. E aqui, não há ego. Tanto não há, que assumo meu erro. De verdade, sem ironia desta vez.
Fiz a prova do Estado para saber qual seria minha colocação para a atribuição de aulas em 2009. Acabei de conferir o gabarito. De 25 questões, acertei somente 13 questões.
13 de 25.
Ridículo. Eu esperava muito mais de mim mesmo. Absurdamente mais.
Agora tenho que encarar o fato de que não sou o filósofo que acredito ser. Pelo contrário. Sou um filósofo mediano, desses que eu vivo criticando, gozando.
Seis anos após iniciar o curso de filosofia, eu admito. Fracassei.
Não tenho emprego na área, não adquiri o conhecimento que deveria.
Meu mais sincero pedido de desculpas a todas as pessoas que acreditaram em mim nesses anos todos. A todos aqueles que acreditaram que eu era bom naquilo que eu fazia.
Até aqui, foi em vão.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Raffa against MTV - b part!

Sou uma pessoa de hábitos estranhos, como o resto de nós. Mais do que ler Wittgenstein, ou mesmo Nietzsche, as vezes prefiro o sacana do Karl, quem sabe até Kant. Ao invés de ouvir Pearl Jam, as vezes prefiro escutar um pagode bem nojento e pegajoso.
Porque?
Porque assim consigo ficar com raiva e então meu cérebro entra em erupção. É ai que as coisas começam a ficar engraçadas. Quando sou provocado. Quando ninguém me provoca, eu mesmo o faço. Mais ou menos o leão que se debate na jaula, parafraseando Nietzsche.
É por isso que sigo assistindo MTV. Gosto de uns trecos lá. Hermes e Renato, 15 minutos. Descobri umas bandas legais que fogem do meu gosto musical, como Jonas Brothers por exemplos.
Mas na terça feira vi um programa desses. Conseguia ser pior do que conversar com um indie. O programa era sobre o aniversário de dezesseis anos de uma garota dos Estados Unidos. Ela diz que somente algumas poucas pessoas vão a sua festa, pois nem todos estão a sua altura. Faz escarcéu com o pai por querer um mercedes de aniversário e o pai se negar. Diz que as amigas a invejam por ela ser muito linda. Diz ainda que os amigos também a invejam por ela ter dinheiro e poder dar uma festa como a dela. Ela liga a festa a sua imortalidade dentro do colégio. Enfim... ela fala e acontece e no final ganha o carro de presente do pai e com isso ela afirma que tudo o mais é resto. Inclusive o namorado flertando com outra.
Moral da história? Não há moral. Pelo menos não a comumente aceita. É nessas horas que eu me felicito por ter cursado filosifa e ser um pé rapado...