segunda-feira, abril 23, 2007

E não é que a morte do Boris Ieltsin me afetou?

Morreu mais um.
Uns tempos atrás foi o lunático do chile e agora um da antiga união soviética.
Morreu segundo uma fonte médica ouvida pela agência de notícias russa, a Interfax, devido a problemas cardiacos.
Presidente de 91 a 99, foi um dos pilares para a democratização do país dele e tirou os comunas do poder por lá! Olha só... que coisa não?
Em agosto de 1991, ele ficou de pé num tanque, e resistiu a uma tentativa de golpe. Depois supostamente comandou o fim da antiga URSS de maneira pacífica, defendendo a democratização do país e a transição para uma economia de mercado. Fazendo aqui a tradução mental que vocês já fizeram. Ele abaixou as calças para o capitalismo.
Aqui, eu coloco um ressalva. Uma grande ressalva...
Aos onze anos eu sabia explicar sem problema nenhum quais as vantagens e desvantagens do plano real, e os problemas gerados pelo plano collor. Sabia até fazer um paralelo com o ramo da construção civil. E já sabia que não tinha sido a população porra nenhuma, quem havia tirado Collor da presidencia.
Fui, durante um tempo curto punk de rua. Um idiota, eu sei.
Andava pra cima e pra baixo com uma merda de um moicano crista de galo na cabeça, ouvindo músicas escrotas em bares imundos do ABC paulista. Vi gente tendo overdose com heroína, cocaina e outras merdas que eu nem mesmo sei o nome. Eu mesmo, acreditem se quiserem, nunca usei nada que não seja a boa e velha cerveja... Apanhei e bati em muitos carecas e ski-heads (que não são a mesma coisa) no mesmo ABC. Vi o que mais tarde seria chamado de "punk oi" (uma mistura mais idiota ainda de punk com skins vê se pode... cretinice não tem fim mesmo...)
Li Proudhon e Bakunin aos catorze anos, e pensei que sabia alguma coisa dessa porra de mundo. Anarquismo puro! (desnecessário dizer que me refiro ao sistema politico-economico)
Militei em favor do voto nulo e fundei um comitê sobre o tema no mesmo ABC, a convite de uma professora de filosofia política chamada Lelita Benoit. Procurem por ela e talvez vocês encontrem a informação de que a velhaca é uma filósofa de prestígio na frança. Aqui na américa latina, ela é a maior autoridade em Agusto Comte (grande merda. Todo mundo aqui sabe o valor que eu dou para esses títulos...)
Participei de um debate aos dezesseis anos sobre a questão da Universidade Pública no ABC, e fui expulso do lugar porque eu estava segundo disseram exaltado, quando eu mandei um senador que eu nem mesmo lembro o nome ir a merda (literalmente) porque ele falou que não havia verbas para a porra da Universidade. Falei que isso não é problema da população. Votamos neles exatamente, mas não somente, pra isso. Para não nos preocuparmos com essas questões.
Entrei em sala de aula aos dezessete anos pela primeira vez, para lecionar em um curso pré vestibular. O curso é financiado pela Educafro, uma ong voltada para afro-descendentes. E militei sobre isso também.
Ou seja, eu tinha ideais como os ideais contrários ao de Stalin. Abrir-se é o caralho!
Pau no cú deles!!!
Mas... todas estas causas eu abandonei. Sem excessão. Percebi futilidade em umas, ego em outras, e uma corrente ideologica vazia em mais algumas.
Então eu me faço uma pergunta que não vou responder tão cedo. Não responderei tão cedo devido a minha história, minhas ideologias abandonadas.
A pergunta é: ele não ta certo? Será que não da mesmo pra resistir ante o capitalismo?
Espero que entendam que este é o desabafo de uma história de engajamento político que começou aos onze anos, e que perdura até hoje, meus vinte e dois.
Pra mim é dificil, mas a história está me mostrando que eu estava errado, e a cada dia me mostra mais.
E porra! Eu sou um otário e fico chateado pra caralho por conta disso.
Percebo que meus ideais românticos, eram somente sonhos de adolescente. E que eu não vou aderir ao sistema, e por conta disso serei sempre um frustrado...

OBS. Não uso mais letra maiuscula para se referir a países, estados, munícipios e afins, nem a nada que não seja digno de nota. Ainda me resta um pouco desse anarquismo tosco em mim. Eu sei que é coisa de criança mimada e tal, mas...

11 comentários:

Big Daddy Big Head disse...

A Cruz Credo Family agradece a visita Raffa!
Realmente os 80's foram foda, acho que ums dos periodos mais criativos da musica underground.
PAZ!

Vaca Zen disse...

Tenho o mesmo gosto de "passado" na boca, mas, penso, deixar de acreditar em alguma possibilidade de mudança...ficarei muito deprimido...ainda mais do que tenho estado.
Fuerza!

paloma disse...

É, fazer o que...
Mesmo em momentos de crise, sempre sobra um pouco de idealismo, mesmo que no fundo não vá dar em absolutamente nada!
A verdade é que o dia que todos (principalmente os jovens) pararmos de lutar pelo que acreditamos, seja a causa mais ridícula e tosca (política ou não), aí realmente, eu acho que a coisa vai ficar muito feia... não que esteja nada bonita...
Valeu por visitar o meu blog, é legal receber alguém que não seja minha duas amigas!
Um bjo

Méav disse...

obrigada pelo comentario!

volte sempre!

bjuxxxx

Teresa disse...

O Boris Ieltsin, assim como o Clinton, simboliza um mundo em que ainda não existia o terrorismo internacional. A gente era feliz e não sabia. Mas agora sabe...

Maria disse...

ora bem,ca tou eu pa beber a bebida por conta da casa ;)beijocas

gabriel disse...

http://myspace.com/someonestilllovesyouborisyeltsin
Vai se catar.
ps: atente para o nome da banda - nao consegui ouvir ainda.
Beijos no cérebro

Luciano disse...

E realmente precisamos disso, nos isolar tomar uma taça de vinho e deixar a barba cresce... Pearl Jam e a banda, sou fãn mesmo de carteirinha,... valeu pela visita abraço

Inês disse...

Não adianta, quando um político morre (o que é raro), só aparece maravilhas a seu respeito. Para mim o ieltsin, era um beberrão maio maluco, que nem conseguia ficar muito tempo em pé. Mas deve ter contribuído com alguma coisa!! A pompa do féretro foi cinematográfico./// Os jovens não podem perder a esperança de que um dia as coisas vão melhorar, não se pode é desistir dos ideais, pois qualquer grãozinho que se faz em prol de um mundo melhor, estamos fazendo a nossa parte, estamos fazendo a diferença!!Parabéns pelo texto, eu não gosto de ler posts muito grandes pois me falta tempo, mas este me prendeu a atenção até o final. Como é bom ter talento!! Um abraço::::

Patricia disse...

Quando mais novinha, há uns 3 anos eu estudava em escola pública com professores revoltados com o sistema, alguns historiadores que achavam o socialismo/comunismo/anarquisimo a solução para os problemas. Nunca acreditei muito. Eu queria era a festa, as discussões. Eu queria era ir para a rua com a cara pintada de tinta pelo passa livre para estudantes, idosos e deficientes, fazer barulho.

Hoje eu estou na faculdade e participo 'quando dá' ds discussões políticas, o que dá uma dor de cabeça já que no universo público nada parece ser o que é.
Eu quero fazer a diferença? Eu quero é fugir do tédio.

Você se pergunta se é certo sucumbir ao capitalismo e eu pergunto se é possível resistir... principalmente em um mundo onde ter é poder e os gigantes falam inglês. Onde um novo software dá mais ibope do que a cura de uma doença!

No fim das contas eu acho que está é tudo perdido. Você vê desejo nos jovens? Eu vejo padronização.

Adorei o texto. Pena que você desistiu daquilo tudo. Mas será que desistiu mesmo? Se ainda há um certo anarquismo no seu escrever ainda há algo daquilo tudo em você.

*escrevi demais como sempre...
beijo.

Pequena Poetiza disse...

Olá
adorei tua visita no meu blog e o teu comentário.
muito lindo

Teu blog é super interessante.

ótimo fim de semana!!!

“Acreditar é monótono, duvidar é apaixonante, manter-se alerta: eis a vida!”
(Oscar Wilde)

Bjinhus da -=Þëqµëñä Þö놡zä=- !!!